Entre colinas bem expostas e a cerca de 380 metros de altitude, há um projeto que está a dar nova voz à sub-região de Amarante, dentro da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. Chama-se Casas do Cabo e nasce de algo simples e poderoso: a vontade de honrar um legado familiar e transformá-lo em vinhos com identidade, carácter e ambição.
Durante gerações, os terrenos da Quinta do Cabo foram dedicados à agricultura tradicional — cereais, ramadas e trabalho de campo. Hoje, mantêm-se na mesma família, mas com uma nova leitura do território. As vinhas são conduzidas de forma moderna, respeitando o solo, a altitude e o clima, e apostando em castas típicas da região, escolhidas para expressar o terroir de forma clara e precisa. O resultado são Vinhos Verdes que fogem ao óbvio e colocam Amarante no centro da conversa.
Duas gamas, duas formas de olhar o vinho
A Casas do Cabo organiza a sua produção em duas gamas com personalidades bem definidas.
A Tabareco é a porta de entrada: vinhos frescos, elegantes e aromáticos, onde a expressão varietal e a acidez natural assumem o protagonismo. São vinhos diretos, precisos, com fruta bem definida e um perfil equilibrado — pensados para celebrar a tipicidade regional com modernidade e leveza.
Já a Carmané é onde o projeto assume um lado mais autoral. Aqui, a vinificação passa pela fermentação em barrica, num trabalho cuidadoso que procura maior profundidade aromática, estrutura e capacidade de evolução. São vinhos mais complexos, com textura e tempo, mas sempre fiéis à identidade da origem.
Uma adega com história — e futuro
A adega e a sala de provas resultam da reabilitação de um antigo edifício agrícola do século XVIII, um espaço que outrora foi casa de lavoura e que hoje conjuga tradição e tecnologia. É aqui que todas as uvas das vinhas próprias são vinificadas, sob o acompanhamento de um enólogo de referência, garantindo controlo rigoroso em todas as fases do processo. Este equilíbrio entre passado e presente é uma das marcas mais fortes da Casas do Cabo: nada é feito por nostalgia, mas tudo respeita a história do lugar.
Um projeto em crescimento, com os pés na terra
A Casas do Cabo assume-se como um projeto em crescimento sustentado, com uma visão clara: qualidade acima de tudo, autenticidade sem concessões e valorização do território como eixo central. O futuro passa também pelo enoturismo, pensado de forma integrada e harmoniosa com a paisagem, criando um espaço onde o vinho, a arquitetura, a natureza e o tempo se encontram.
Tal como as videiras que crescem na Quinta do Cabo, este é um projeto em constante evolução — atento às condições que o rodeiam, enraizado na família e aberto ao mundo. Um novo nome a fixar no mapa dos Vinhos Verdes, e uma boa razão para olhar novamente para Amarante, agora também através do copo.
