A Revista de Vinhos deu a conhecer os grandes vencedores dos prémios “Os Melhores do Ano 2025”, numa celebração única que reuniu, na Sala do Arquivo do Centro de Congressos da Alfândega do Porto, mais de 900 convidados, entre produtores, enólogos, distribuição, restauração e demais operadores ligados ao setor vitivinícola e hoteleiro.
A celebrar 25 anos, a Herdade do Sobroso foi destacada como “Produtor do Ano”, pelo trabalho exemplar desenvolvido pelo casal Sofia Ginestal Machado e Filipe Teixeira Pinto à frente de uma vasta propriedade de 1.600 hectares junto ao Alqueva, nas margens do Guadiana. Também desta região, o prémio “Vinho do Ano” foi para o tinto Cartuxa Reserva 2019, um clássico do Alentejo, produzido pela Fundação Eugénio de Almeida (FEA) pela primeira vez em 1987, que resulta de um lote das variedades Alicante Bouschet, Aragonez e Cabernet Sauvignon, mostra cor rubi escura, nariz de pimento, romã, floresta, balsâmicos e especiaria, de tanino imponente, solidez estrutural como rocha-mãe, inquietado pela boa acidez, de final, simultaneamente, musculado e elegante.
No capítulo dos fortificados, a Pereira d´Oliveiras, produtor de Vinhos Madeira de exceção, mereceu a distinção “Produtor de Vinhos Fortificados do Ano 2025” não apenas pela coleção de exemplares centenários que começou a ser lançada ainda em pandemia, como D´Oliveiras Malvazia Cândida 1910, D´Oliveiras Moscatel Graúdo 1900, D´Oliveiras Sercial 1920 e 1910, D´Oliveiras Terrantez 1889 ou Boal 1904, mas também pela forma como vive e sente o Vinho Madeira.
A dupla Sandra Tavares da Silva e Jorge Serôdio Borges, mentores e criadores da Wine & Soul, através da qual exploram o terroir único do Vale de Mendiz, no Douro, são atores de palco principal em 25 anos de percurso comum, tendo sido galardoados com o prémio “Enólogo do Ano 2025”. O “Enólogo Revelação” é Ricardo Gomes, que oficia nos projetos que juntam o grupo hoteleiro Vila Galé com a empresa Madre, de António Parente, na Quinta do Val Moreira, no Douro, e no Paço do Curutelo, na região dos Vinhos Verdes.
A “Personalidade do Ano no Vinho” para a Revista de Vinhos é Francisco Toscano Rico, o agora presidente do IVV, em reconhecimento pelo trabalho ímpar promovido na liderança da Comissão Vitivinícola da Região de Lisboa. O título “Personalidade do Ano na Gastronomia” recaiu sobre Vítor Matos, o chefe português mais estrelado, que consolidou uma carreira onde técnica, inovação e arrojo se sedimentaram em voos e projetos profícuos e promete não ficar por aqui.
Ainda no capítulo da gastronomia, Rui Silvestre, chefe do Fifty Seconds, restaurante da torre Vasco da Gama a 120 metros de altura sobre os céus de Lisboa, recebeu o prémio “Chefe de Cozinha do Ano”. Nos Açores, o restaurante Bioma – projeto do picaroto Rafael Ávila Melo e do argentino Franco Pinilla, – é uma sólida ode à natureza na ilha do Pico e uma forma de expressão, tendo arrecadado o prémio “Restaurante do Ano”.
Jorge Lucki, jornalista e cronista do título brasileiro Valor Econômico, é um dos nomes grandes do vinho no Brasil, alguém a quem Portugal muito deve na divulgação dos nossos vinhos além-Atlântico, pelo que recebeu o prémio “Personalidade do Ano no Brasil”.
Abegoaria, empresa de base alentejana mas hoje presente em várias regiões do país, apresenta um volume de negócios na ordem dos 53 milhões de euros e uma produção média anual de 20 milhões de garrafas, entre as quais o ‘blockbuster’ Porta 6 – um sucesso de vendas no Reino Unido, que absorve quatro das oito milhões de garrafas anualmente –, é a “Empresa do Ano” da Revista de Vinhos.
Por seu turno, o “Produtor Revelação do Ano” é a VineVinu, que reúne pai e filho, António Luís e Manuel Cerdeira, num projeto familiar que marca um novo produtor da região dos Vinhos Verdes e que, apesar do (re)começo, tem já no mercado oito referências, incluindo Alvarinho de Monção e Melgaço ou um curioso espumante de Paredes de Coura…
A já clássica gama de vinhos do Douro Duas Quintas, criada pela Ramos Ponto então sob a batuta de João Nicolau de Almeida, arrebatou a distinção “Marca do Ano”, liderada agora pelo enólogo Jorge Rosas.
Augusto Brumatti, head sommelier do algarvio Vila Vita Parc, foi distinguido “Sommelier do Ano”. A já emblemática mercearia Pára!Bento, em Vila do Conde, obteve o reconhecimento de “Loja/Garrafeira do Ano”. O prémio “Enoturismo do Ano” foi atribuído ao projeto Beira Interior Wine Villages, que propõe, sob a liderança da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), em parceria com as Comunidades Intermunicipais das Beiras e Serra da Estrela e da Beira Baixa e o apoio do Turismo de Portugal, um roteiro unificador de um território que se estende desde o distrito da Guarda até ao de Castelo Branco. A cidade de Braga foi considerada “Destino Gastronómico do Ano”.
O sublinhado “Viticólogo/Investigador do Ano” destacou o trabalho de Renato Neves, responsável de viticultura da Herdade das Servas (Alentejo) e Casa da Tapada (Verdes), pelo trabalho de viticultura regenerativa. A distinção “Distribuidor do Ano” elegeu a Cave Lusa.
Rita Magro, que deixou recentemente o Blind, que fez dela a mais jovem chefe a receber uma estrela Michelin, para se aventurar num novo projeto, o Atrevo, no Porto, venceu a promissora categoria “Chefe Revelação do Ano”. A Nunes Real Marisqueira, em Lisboa, alcançou o título de “Serviço de Vinhos do Ano”. O pão-de-ló de Alfeizerão, um dos tratados de doçaria mais célebres do país que continua a ser feito como no século XIX, graças à proprietária Helena Castro, obteve o galardão de “Produtor Artesanal do Ano”.
A Revista de Vinhos atribuiu ainda o prémio “Homenagem” a Lídia Monteiro, vogal do conselho diretivo do Instituto do Turismo de Portugal, pelo trabalho desenvolvido em prol da dinamização do Enoturismo.
A par disso, a Revista de Vinhos entregou os diplomas aos 30 “Vinhos Excelência” eleitos pelos provadores da publicação e distinguiu o vinho tinto Porta 6 2023, elaborado pela Vidigal Wines, do grupo Abegoaria, como “Compra do Ano”.
“Os prémios ‘Os Melhores do Ano’ da Revista de Vinhos, prestes a celebrar três décadas, são um momento de celebração e reconhecimento do que de melhor se faz no vinho, no enoturismo e na gastronomia em Portugal. Refletem não só a evolução do panorama vitivinícola nacional, mas também a solidez e a resiliência daqueles que nele trabalham. Este ano, foram atribuídos prémios em 25 categorias, destacando projetos e protagonistas que marcam a diferença. Em 2025, reconhecemos o mérito e o empenho de tantos profissionais, mas também olhamos o futuro com confiança e entusiasmo”, afirmou Nuno Guedes Vaz Pires, diretor Revista de Vinhos.
Realizados desde 1996, “Os Melhores do Ano” são tidos pelo setor como os “Óscares do vinho e da gastronomia” em Portugal. Surgem detalhados na edição de fevereiro da publicação especializada, já disponível em banca.



